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domingo, 1 de janeiro de 2017

Cozinha de acampamento – Saboreando a aventura - Parte I

            Cozinha de acampamento é um tema que interessa a muitas pessoas, uma vez que gostamos de guloseimas e petiscos, não importa a hora ou local. No entanto, cozinhar em campo é muito diferente de cozinhar no conforto de casa, simplesmente pela praticidade de alguns itens e alimentos.
 Todo excursionista que se prese tem seu kit cozinha, bem como algumas dicas e receitas práticas, simples e deliciosas. Veremos algumas receitas extraídas de textos outrora lidos como: O livro de cozinha do excursionista faminto de autoria de Sergio Beck e de experiências pessoais na cozinha indoor e outdoor.
 O que levar entre equipamentos e alimentos estará diretamente relacionado ao período de permanência em uma trilha. No livro “A arte da guerra”, Sun Tzu cita:

Quando os soldados ficam encostados em suas lanças, estão fracos por falta de comida...”.

Aquele(a) que se propõe a realizar caminhadas em trilhas não estão indo à guerra, mas desde tempos remotos observamos a importância de se alimentar bem, principalmente em longas jornadas. Então quantos dias você caminhará? É uma trilha fácil, média ou difícil? E o clima, quente e úmido, frio e seco? Como vimos em Atividades Outdoor e Hidratação o corpo humano é capaz de gerar grande quantidade de energia mas para tal necessita de uma fonte rica em nutrientes. 
A Nutrição é uma ciência ampla que estuda diversas interações dos alimentos com nosso organismo, por isso o acompanhamento de profissionais nutricionistas é importante, estes entendem muito bem as funcionalidades de cada alimento. Para escrever esta postagem solicitei auxílio do meu amigo e nutricionista esportivo Márcio Marques (Instagram, Web). Apesar de não podermos sintetizar toda a gama de informação, podemos compreender alguns conceitos básicos de cada grupo alimentar e assim iniciarmos nossa preparação:

Carboidratos: Absorvidos mais rapidamente que proteínas e gorduras, os maiores responsáveis pelas calorias necessárias para gerar energia em movimentos através de contrações musculares e calor.

Podem ser Simples: representados pelos açúcares ou Complexos: representados pelos amidos (arroz, cereais e massas).

Proteínas: São nossos construtores, responsáveis pelo crescimento e manutenção dos tecidos, não sendo armazenadas no organismo e quando excedem em quantidade são utilizadas como fonte de caloria. Suas fontes são: ovos, carnes, leite e derivados, alguns cereais integrais, nozes e leguminosos (feijão, ervilhas, amendoim).

Gorduras: Na comum expressão “uma bomba calórica”, pode ser de origem animal ou vegetal, liberam mais que o dobro de calorias que carboidratos e proteínas. A baixa ingestão é orientada por ter digestibilidade mais lenta e difícil. É encontrada em óleos vegetais, manteiga, queijos, salames, carnes gordurosas, chocolates e castanhas.

Vitaminas: Essenciais para diversas reações químicas no interior das células, não sendo necessárias grandes quantidades de ingestão. Facilmente encontrados em verduras e legumes, tais como: cenoura, brócolis, espinafre, couve, dentre tantos outros.

Água / Minerais: Constituindo cerca de 70% do corpo humano, a água é de vital importância para a manutenção de todas as atividades orgânicas. Entre a água e os minerais constituintes do organismo existe uma relação muito estreita, principalmente destacando o Sódio, o Potássio e o Ferro. Saiba mais em Quase Aquamans.

Fibras: São simplesmente celulose não absorvidas pelo organismo, sendo assim não são transformadas em energia ou reparadores de tecidos, mas nem por isso tem menor importância. São responsáveis pela manutenção do volume do bolo alimentar durante o trânsito intestinal, garantindo a passagem de alguns resíduos enquanto carboidratos, proteínas e gorduras são absorvidas pelo intestino. Por reterem água promovem a lubrificação e limpeza do conduto intestinal, auxiliando na regulação de suas funções. Dietas pobres em fibras causam obstipação (intestino preso). São encontradas em diversos alimentos.

Deve se ter em mente que durante uma trilha que dure mais de dois dias necessitamos de calorias para gerar energia e isso não é sinônimo de comer apenas um tipo de alimento, equilibrar a alimentação é proporcionar refeições saborosas e quantidades de nutrientes suficientes. Já li fóruns sobre vantagens e desvantagens sobre comer carnes durante trilhas ou optar por uma alimentação vegetariana, não entrarei no mérito da questão, no entanto existem sim muitas boas razões para uma alimentação com mais vegetais da mesma maneira que existem boas razões em não ingerir carne de maneira exacerbada. Uma coisa é certa, excluir quaisquer dos grupos alimentares exige uma reflexão profunda e opinião profissional, principalmente se você é um praticante de trilhas.

Efeitos sobre o anabolismo (síntese) muscular

Exercícios e atividades físicas são de grande importância para impedir a atrofia e favorecer o processo de manutenção muscular, melhorando a experiência outdoor. Pessoas fisicamente ativas e atletas necessitam de maior quantidade e qualidade proteica que as estabelecidas para indivíduos sedentários.
A ingestão de proteína ou aminoácidos após exercícios físicos favorece a recuperação e a síntese proteica muscular. O perfil de aminoácidos das proteínas do soro, principalmente ricas em leucina com rápida absorção intestinal e peptídeos, favorece o anabolismo muscular. Além disso, Ha & Zamel, destacam que o perfil de aminoácidos das proteínas do soro é muito similar ao das proteínas do músculo esquelético, fornecendo quase todos os aminoácidos em proporção similar sendo um efetivo suplemento anabólico.  Além de aumentar as concentrações plasmáticas de aminoácidos, a ingestão de soluções contendo as proteínas do soro aumenta a concentração de insulina plasmática, o que favorece a captação de aminoácidos para o interior da célula muscular, otimizando a síntese e reduzindo o catabolismo proteico.

IMPORTANTE:
O aumento do consumo proteico na dieta além dos níveis recomendados não leva aumento adicional da massa magra. Há um limite para o acúmulo de proteínas nos diversos tecidos. Para tal o acompanhamento de um nutricionista se faz importante e necessário.

Após entendendo a importância de cada nutriente observaremos como cozinhar, e isto esta diretamente relacionado ao equipamento levado em trilha. “Cada um carrega seu conforto”, para caminhadas o ideal é temos equipamentos leves, simples e de fácil manuseio. A logística do preparo também deve ser observada e com apenas um fogareiro teremos que programar o quê, quando e como cozinhar.
As fogueiras exercem uma atração natural em todos nós, uma herança primitiva de um passado selvagem. Além do impacto bioecológico demandam cuidados específicos de manutenção, ainda sim muitas pessoas buscam maneiras de aprender como acender fogueiras com métodos rústicos apesar de se tornarem mais obsoletas em comparação com os novos e modernos fogareiros, por este motivo e diversos outros motivos ela apenas deve ser feita em uma condição muito especial e tomando todos os devidos cuidados.

Monte seu K.I.T. (Kit de Ingredientes para Trilhas)
Cozinhar pode ser uma descoberta, uma experiência prazerosa que nos une aos amigos em comunhão após um longo dia de caminhada, ou com preparação para as novas experiências do dia. Mas não há nada mais anticlímax que uma comida insossa, ou hipertemperada... Certamente todos já passamos por isso em algum momento e no acampamento você terá apenas duas opções: - comer ou não comer.

Por isso uma conferência simples no K.I.T.(Kit de Ingredientes para Trilhas) antes de sair pode não levá-lo para a final do Master Cheff, mas trará outros suspiros e elogios durante as refeições. 
Simplicidade é a palavra de ordem e itens como: - açúcar, sal, pimenta, manteiga, azeite, cebola, pimentão, carne seca, queijos, creme de leite, tomate, cenoura, abobora, batatas, mandioca, orégano, páprica doce, curry, shoyu, ketchup, noz moscada, pimenta do reino, calabresa moída, canela, gengibre, farinha, fermento, alho, azeitonas, cereais... farão a diferença na hora de repor as energias. UFA... até parece uma compra mensal, mas devemos lembrar que teremos entre dois e cinco dias de caminhada, não sendo necessário uma quantidade grande destes itens e nem todos os descritos, seu gosto pessoal deve ser observado na escolha do que levar, afinal você merece saborear delícias também...
Para saber e escolher os melhores ingredientes, devemos preparar um cardápio, não precisa ser nada muito requintado. Como disse, a simplicidade é palavra de ordem e desta maneira podemos quantificar as porções de alimentos para cada refeição e para cada dia de trilha.

Importância da água
Mais importante que os ingredientes, a água tem função de prepará-los. Na maioria das regiões selvagens conseguimos nos reabastecer de maneira tranquila, e quando não podemos fazê-lo? - Teremos de armazená-la e transportá-la.
Em alguns lugares os reservatórios são um tanto suspeitos e devemos estar atentos para evitarmos o consumo de água contaminada que pode causar doenças como: diarreia, febre tifoide, hepatite A, infecção intestinal, leptospirose, salmonela, cólera, rotavírus ou noravírus. Estas doenças podem apresentar diferentes sintomas: - Febre, - dor abdominal, - perda do apetite, - diarreia, - vômitos; e na presença estes deve-se ir ao posto de saúde ou hospital para identificar o que está acontecendo e iniciar o tratamento adequado. Mas... Como fazer isso durante a trilha? Quiçá a dias de distancia de algum povoado! Impraticável, né? Para tal a atenção é imprescindível, tanto na coleta, armazenamento e consumo da água.

Sinais de que a água é imprópria para o consumo
Ao suspeitar que a água esteja mesmo parecendo estar limpa, quando não se sabe de onde ela veio, ou com aparência suja, tendo uma coloração amarelada, alaranjada ou amarronzada ou turva ou com lama, mau cheiro e pequenas partículas em suspensão ela esta imprópria para o consumo. O que fazer?

Como purificar a água para beber?
Diversas são as maneiras...
A fervura da água é mundialmente difundida, apesar de consumir combustível e tempo para resfriar, é suficiente para destruir até cistos de parasitas e tem a vantagem de não deixar resíduos químicos. Ao nível do mar em 10 minutos a água alcança seu estado de ebulição, já na montanha a cada 300 metros de altura é adicionado cerca de 1 minuto ao processo, no entanto o resfriamento pode levar de 2 a 3 horas e após isso esta apta a ingestão. 
A solução de hipoclorito de sódio e solução de iodo metalóide 2% também são utilizadas para tratar a água e são facilmente comprados em farmácias e supermercados - importante seguir as recomendações de uso. Apresentam um pequeno inconveniente de deixar um leve gosto na água e algumas pessoas têm alergia ao iodo - não sendo recomendado o seu uso. São especialmente indicados para purificação de águas que estejam contaminadas com vírus, bactérias e coliformes fecais, o que pode acometer cisternas, poços artesianos, pequeno poços e em caso de contaminação com a água das chuvas. 
  
A filtragem também é um método de limpeza da água, atualmente são comuns filtros portáteis para trilhas e situações de urgência e emergência, compactos e de fácil uso dão a garantia de uma hidratação rápida e segura.

Higiene e cuidados.
Cabe a cada um de nós preservarmos os caminhos que tomamos como trilhas, acampar consciente é saber que seu lugar também é ali, mas não permanentemente. Compartilhamos a natureza com absolutamente tudo e a maneira como agimos além de dizer muito sobre nós mesmos altera o ciclo natural dos eventos. Por transportarmos alimentos devemos estar atentos aos resíduos para que nada fique para trás, devemos passar sem deixar rastros e as unidas marcas devem ser as internas, o aprendizado e a gratidão por aproveitar cada momento.
Devemos ter cuidado especial em além de recolher o lixo que produzimos e aqueles que encontramos pelo caminho, preservar fontes de água, rios, riachos, lagunas, lagoas... Não se devem lavar utensílios em sua margem, tomar banho com sabão ou outros produtos, para isso se retira um volume de água e se afasta entre 75 e 100 metros. Restos de alimentos que não serão aproveitados em outras refeições são lixo e como tal devem ser recolhidos e trazidos de volta.
Em regiões tropicais o calor é inimigo da conservação, carnes e ovos são especialmente susceptíveis a estragar, não durando mais que um dia. Verduras, frutas, grãos devidamente embalados e a salvo do calor poder resistir um pouco mais, onde houver água corrente pode ser usado como “resfriador natural”, claro que os potes devidamente fechados e presos por um cordelete. Vale lembrar estamos em ambiente selvagem e roedores com sua eterna curiosidade e faro aguçado podem tentar se apoderar de alguns itens, para tal, os potes e sacos plásticos devem estar muito bem chegados, evitando que o perfume alimentar os atraia.
Devido à fauna específica outros meios de manter os alimentos a salvo se fazem presente, no hemisfério norte os espertos ursos, lobos e coiotes, dentre tantos outros animais, ano após ano roubam mochilas para descolar algum aperitivo, por isso prende-la em algum lugar alto, galho, por exemplo, além de os deixar sem ação, não são atraídos para perto das barracas.

2 comentários:

  1. Muito bom o post.
    Eu uso até hoje algumas receitas do Cozinha do Excursionista Faminto do Sérgio Beck, muito bom.
    Bons ventos.

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  2. Excelente post! Importante, principalmente aos cuidados energéticos para sobrevivência com qualidade em campo! Para frente e para o alto!

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