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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Monte Santa Helena – O despertar violento de um sono inquieto. - Parte I



Já imaginou uma montanha perder toda a área do cume?


Para que isso aconteça esta montanha deve ser um vulcão com potencial de desprendimento de energia jamais visto anteriormente, tornando este um evento de magnitude colossal. 
Pois, há 36 anos, tudo o supracitado aconteceu, claro que não de maneira imediata para os padrões humanos, mas podemos considerar um “estalar de dedos geológicos”.
Em 18 de maio de 1980, um evento geológico dantesco se desdobrava aos nossos olhos, 2.8 milhões de metros cúbicos de montanha foram removidos de maneira brutal e assombrosa, se tornando logo de imediato a mais letal e devastadora erupção da história recente dos Estados Unidos.

             Geografia & História
Lord St. Helens
           O monte Santa Helena tem uma altitude (atual) de 2549m, proeminência de 1404m, nome é uma referência ao diplomata britânico Lord St. Helens, por indicação do explorador George Vancouver, um amigo que fez o levantamento da região no final do século XVIII.
Thomas J. Dryer
            A primeira ascensão documentada ao Monte Santa Helena ocorreu nos idos de 27 de agosto de 1853, pelo editor de jornais Thomas Jefferson Dryer, e três companheiros. 

        

Localização
Sendo uma das diversas montanhas vulcânicas e não-vulcânicas, no condado de Skamania - Washington, ele está a 154 km ao sul de Seattle, 80 km a nordeste de Portland, no Oregon. Pertence à Cordilheira das Cascatas, noroeste pacífico dos Estados Unidos. Esta cadeia de montanhas é formada pelo contato convergente entre a placa Juan de Fuca, progressivamente sobreposta pela placa Norte Americana, gera uma zona de subdução responsável pelo aparecimento deste grupo de vulcões.
Fazendo parte do Anel de Fogo do Pacífico com mais de 160 vulcões ativos, são nas Cascatas onde todas as atividades vulcânicas continentais têm acontecido nos últimos 200 anos. O Monte Santa Helena é bem conhecido por suas explosões de cinzas e fluxos piroclásticos (partículas de magmas juvenis derivados da desintegração explosiva do magma, podem ser misturas de dois ou mais compostos. Para mais informações e dados técnicos VULCANOtícias).

           O Evento – A montanha viva
Mesmo sendo um dos vulcões mais ativos do “Circulo do Fogo”, este vulcão permaneceu adormecido por 120 anos, compondo com as florestas densas que o margeavam a “paisagem de cartão-postal”. Todo evento natural é precedido de alguma maneira, e este em particular apresentou por dois meses inúmeros sismos de baixa magnitude. No dia 27 de março, diversas pequenas erupções freáticas abriram uma nova cratera e um arqueamento do flanco norte da montanha foi observado, desde então a região foi evacuada e interditada por questões de segurança. Em 1º de abril de 1980 através de sensores geofonicos e hidrofonicos, sismógrafos registraram sinais relacionados a tremores contínuos, indicando ascensão do magma no interior da montanha. O então abaulamento no lado norte mais parecia a uma bolha com altura de 100 metros e cerca de 1km de diâmetro prestes a estourar. 
Diversos eram os setores em alerta e o pesquisador David Johnstons que permaneceu no posto de observação a 16 quilômetros de distância da cratera, às 8:32 do dia 18 de maio de 1980 fez o comunicado via rádio: - "Vancouver! Vancouver! Chegou a hora!"

           Após o registro de um sismo de magnitude 5,1, com uma explosão gerando potência equivalente a 20 mil bombas nucleares o vulcão entrou em erupção, e pela deformação da face Norte uma enorme avalanche sujeitou o magma a uma brusca redução de pressão, ocorreu então uma violenta erupção do tipo explosivo peleano, reduziu a elevação da montanha de 2.950 m para 2.549 m e criou uma cratera de 1,6 km de largura e 1km de profundidade.
            Uma lava viscosa, rica em sílica (63,5% de SiO2) – dacite e vapor de água terá sido a principal responsável por esta erupção. A fraca fluidez deste tipo de magma, possibilita uma grande acumulação de material ao longo e em redor da conduta vulcânica e impede, simultaneamente, uma libertação faseada dos gases presentes no banho magmático, o que contribui para um aumento de pressão. A entrada de novo magma na câmara, possivelmente mais pobre em sílica, terá finalmente aumentado a pressão ao ponto de desencadear a instabilidade que culminou com esta erupção.

   Poucos segundos após o abalo ter desencadeado a avalanche, toda a energia acumulada no interior foi liberada. Um violento fluxo piroclástico com mais 1000 km/h, ultrapassou a avalanche, derrubando todas as árvores num raio de 13 km. Uma coluna de erupção elevou-se 19 km acima da cratera, lançando tefra*(cinzas vulcânicas) na estratosfera e provocando sua queda em onze Estados. 


Relato de Dieter Wörner, geólogo da Universidade de Göttingen, na Alemanha:
"Toda a paisagem estava inteiramente transformada. Nas áreas mais próximas, todas as grandes árvores desapareceram. Um pouco mais distante, elas pareciam palitos de fósforo espalhados pelo chão, mas palitos de fósforo de dois metros de diâmetro e 30 metros de comprimento. Os galhos haviam desaparecido, arrancados pelo impacto da explosão. E tudo estava coberto por uma camada parda e feia de cinzas. Uma paisagem lunar não poderia ser pior, pois lá se viam ainda os restos de vida".
           Desde a fase explosiva no ano de 1980 o Vulcão Santa Helena regressou, em 2004, a uma fase efusiva com escoadas lávicas lentas. Esta alternância de fases explosivas e efusivas, resulta no cone vulcânico característico de um estrato-vulcão, formado por níveis lávicos intercalados com níveis de tefra e cinza vulcânica libertadas durante as fases explosivas.
           O monitoramento de toda a cordilheira vulcânica foi ativado após o evento, com a finalidade de um eficaz sistema de alertas públicos. Por se tratar de uma região relativamente isolada, o risco de efeitos primários nas populações, é reduzido quando comparado com outros pontos do globo,  e um doloroso aprendizado revelou a violência e as consequências de uma erupção como esta pode atingir uma área à centenas de quilometros para além da cratera vulcânica.
O impacto sócio-econômico da devastação florestal causado pelas cinzas vulcânicas, tanto na qualidade de vida, saúde e as potenciais alterações climáticas provocadas pelo evento, são consequências passiveis de prever, mas que dificilmente evitar!

Monte Santa Helena
Um triste saldo, cinquenta e sete pessoas morreram; 250 casas foram destruídas, 47 pontes inutilizadas, 24 km de estradas de ferro e 298 km de rodovias foram destruídos. 

Imagem 3d montada a partir de dados adquiridos pelo instrumento Operational Land Imager no Landsat 8 e pelo Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER) observando na direção sudeste no dia 30 de Abril de 2015, mais de 35 anos depois a montanha ainda é monitorada e a recuperação do ecosistema rastreado.
Agradecimento ao Geólogo Maurício Ferreira Guimarães
Mestre em Saneamento,Meio Ambiente e Recursos Hídricos.


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